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  ICTLIDERANÇA - Curso de Teologia: Fundamentação Teórica  

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA METODOLÓGICA

A Faculdade e a Universidade surgem como instituição social desde a baixa Idade Média como resultado do desenvolvimento das sociedades européias no final das invasões bárbaras. E nesta época, então, comeca  o progresso na produção material que possibilitou a existência das sociedades urbanas e, assim a  atenção é centralizada no desenvolvimento da cultura mediante o ensino e o enriquecimento.

A Faculdade e a Universidade como intituições sociais estão  presentes em todas as nações contemporâneas. E o trabalho é parte fundamental nas sociedades modernas.

A necessidade de caracterizar a Faculdade e a Universidade como instiuições sociais, tendo em vista a excelência em sua direção e desenvolvimento, como chave para este trabalho.

E o curso de Bacharel em Teologia surge a partir de uma necessidade do processo de formação de profissionais que estão enganjados primeiramente em um processo educativo e em particular um compromisso com o ensino-aprendizagem cristão diferenciado e dinâmico, com processos de investigações e criatividades em geral, que  irão influir decisivamente no desenvolvimento da sociedade que é a clientela e que está centralizada na igreja local.

E para  a aplicação dos enfoques nos sistemas estruturais, dialéticos e genéricos, temos de precisar os processos em uma ótica de qualidade total que caracterizarão relações fundamentais que possibilitem determinar e diferenciar o desenvolvimento da sociedade.

a. Primeiro componente do processo é o problema - que é a situação de um objeto que gera a necessidade de um sujeito que desenvolva um processo para a sua transformação. 

b. Segundo  componente é o objetivo,  que uma vez alcançado o objeto, seja  transformado, satisfaça a necessidade e resolva o problema. 

c.Terceiro componente é o objeto, que é modificado no processo  e que se converte no conteúdo do próprio objeto. 

d.Quarto componente é o método, que é a estrutura, a ordem dos passos que  desenvolvem o sujeito, sua interação com o objeto, ao longo do processo. 

e.Quinto componente são os meios que se utilizam  para transformar o objeto. 

f. Sexto é a forma, que não é mais que a ordem que se adota do ponto de vista temporal e organizacional para desenvolver o processo. 

E por último, a avaliação que é a constatação periódica do desenvolvimento do processo de modificação do objeto.

A relação entre o objetivo, o conteúdo (objeto idealizado como modelo) e, o método, determinam  a dinâmica do processo. A questão radica em como  desenvolver o processo ( o método), para obter o objetivo, atuando sobre um certo modelo. A dinâmica, que o o método do processo, operacionaliza a modificação do objeto, tendo em conta as relaciões internas que pressupõem esse modelo. Se o modelo é correto, o método nos leva ao objetivo que atua sobre um certo modelo.

         Este curso não será como um curso normal, pois tanto professores como alunos estarão engajados em um processo educacional religioso, uma vez que a clientela é diferenciada e dinâmica. Portanto, os métodos adotados serão práticos e de fácil entendimento, tais como: aulas expositivas, debates, data-show, dramatizações, trabalhos em grupos, seminários, workshops, filmes, pesquisa de campo, etc…

A perspectiva teórica de definição didática e pedagógica é interdisciplinar. Apesar da interdisciplinariedade no Brasil ter algumas questões  polêmicas, aqui nos  Estados Unidos da America é mais consolidada. Porém,  prática pedagógica no nosso curso de Bacharel em Teologia está  dentro do pensamento (interdisciplinariedade) que a doutora e professora Ivani Fazenda (1983), desenvolveu. É um trabalho  pioneiro como pesquisadora e depois como orientadora em diversos cursos de Pós-Graduação do país. Apesar dos alunos não mencionarem a palavra ‘interdisciplinariedade’ por ser uma palavra  com um nova  terminologia. Paulo Freire (1980),  aborda questões de natureza político-social (Educação como Prática de Liberdade) mostra  que “não há educação fora das sociedades humanas e não há homem vazio”, ou seja, não se pode conceber uma linha metodológica de trabalho que seja dissociada da vivência do grupo no qual está inserido. Bem como não há sucesso em um empreendimento educativo que menospreze a importância da reflexão coletiva. Aí consistia um das principais causas da perseguição político-ideológica de Paulo Freire.

Paulo Freire constata essa dissociação existente entre os anseios da sociedade da época sem as diretrizes da educação no período ditatorial, todavia essa linha de pensamento não era escondida, uma vez que não consistia, apenas, em um estilo pedagógico, mas na prática constante, calçada na convicção de que o homem foi criado para se comunicar  através do diálogo.

E para Paulo Freire a palavra interdisciplinariedade que foi substituida por integração, o homem se torna agente da história e da cultura à medida que interage, diferencialmente. E esta interação de uma simples adaptação, acomodação ou ajustamento, mas na participacão pessoal e decisiva.  Sendo assim, não haverá  apenas um ajuste na integração, mas uma transformação profunda na capacidade de cada um ser agente.

A Universidade e a Faculdade se enchem de idéias, conceitos e modelos que vão conformando os critérios para a reforma social, preparando o mundo para o amanhã. E como instituição política, a Universidade e a Faculdade é portadora e geradora de uma cultura social. Também tem conceitos inovadores da estrutura social que tem a participação dos professores e alunos, que valorizam  e solucionam os problemas inerentes aos processos sociais que se convertem na via fundamental  da formação dos mesmos.

“Paulo Freire (1985) no seu livro: “Pedagogia do Oprimido” fala sobre a questão da conscientização e, nessa abordagem, trata d redescoberta através da retomada crítica do próprio processo em que vai ele se descobrindo, através dos métodos de conscientização o ato descobrir passa pelo crivo reflexivo, não só de próprio  descobridor, mas também  do grupo onde se insere, uma vez que ninguém se conscientiza isoladamente, pois a consciência se estabelece como consciência do mundo”.

Quando tomamos consciência de que sem diálogo não haverá avanços conclui-se, que o sectarismo é castrador, uma vez que trás consigo um fanatismo que impede o diálogo; já a radicalização é crítica e libertadora porque implica na fundamentação e o alicerce na opção feita  e está sempre inserindo a crítica em oposição aos ideais do sectário que é subjetivista e, irracionalmente cego a visão global, portanto reacionário.

No momento que Paulo Freire (1985) cita a questão  da pedagogia da opressão está  se referindo aos modelos e moldes que emperram o processo de diálogo no processo de aprendizagem, tendo em vista que nesta visão o oprimido profissional da educação tem uma visão individualista do que seja um novo homem, pois para esse profissional ele é um novo homem opressor de outros. Daí as afirmações de alguns alunos, “fui perseguido na escola, quero ser professor para oprimir a todos”.

Paulo Freire aborda um outro fator que impede uma pedagogia libertadora o medo da liberdade,  que por sua vez desmitificaria e transformaria o ato pedagógico em um ato  de constante busca, acabando  com as fórmulas perfeitas e que os profissionais sabem tudo. Entretanto, não é sem motivo que a liberdade é temida, isto acontece, porque segundo o autor, tais profissionais se sentem inseguros, não se sentindo capazes de correr o risco de assumí-la, considerando que a opressão é um instrumento de afirmação para inseguros, daí há a relutância dentro de cada ser que traz consigo uma batalha interior dualista entre o ser livre e ser opresso, ser alienado ou se desalienar, entre ser espectador ou autor. Freire chega a comparar como um parto doloroso que, entretanto, trará um verdadeiro homem novo, não opressor nem oprimido, mas no processo de libertação.

Citando Hegel, Freire destaca como primeiro passo para a libertação o assumir da condição do oprimido e se engajar na luta pela libertação, que será uma atividade prática, a cada dia, coletivamente com os elementos inseridos no processo, praticariam essa libertação.

Citanto Marx, estabelece a divisão entre subjetividade e subjetivismo, com psicologismo. Marx (em Freire 1985), criticou e , cientificamente, destruiu, não foi subjetividade, mas  o subjetivismo, o psicologismo, demonstrando que se os homens são os produtores desta realidade a prática será o instrumento para a transformação da mesma.

Em um dos subtítulos de sua obra, Paulo Freire (1985), embora não utilizando a palavra interdisciplinariedade, resume a essência do seu significado: “ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho: os homens se libertam em comunhão”.

 O ato interdisciplinar está aqui resumido, a superação de uma separação problemática não será resolvida por um salvador da pátria, por um professor “inteligente”, por uma ação da coordenação pedagógica, ela só se efetivará se todos se unirem em uma ação reflexiva na sua vocação que Freire denomina ontológica e histórica de ser mais, pois não há auto libertação, ninguém se liberta sozinho.

No item “ A concepção bancária” da educação como  instrumento da opressão, seus pressupostos, sua crítica;  Freire critica o modelo tradicional de ensino, onde educado é somente um mero espectador e o professor um mito que não necessita dos demais colegas e, em seguida traz o terceiro item: a dialogicidade - essência da educação como prática da liberdade que trata da necessidade de uma visão de diálogo como ato de criação.  Para essa interação, Paulo Freire diz: “que o diálogo não pode  ser encarado como um depositar de idéias, ou um trocar de idéias, ou quem sabe uma discussão guerreira e polêmica porque é um encontro de homens que pronunciam o mundo, que é uma exigência existencial.

E sem usar a palavra interdisciplinaridade , Paulo Freire propõe o primeiro passo da dialogacidade  para a execução, ou seja, el diz: “que o diálogo começa desde a busca do conteúdop programático, as reuniões para as alterações, inclusões, retiradas  nos conteúdos programáticos, darão início ao processo interdisciplinar, que resultará  na organização, sistematização e estruturação de uma proposta de conteúdo programático realmente comprometida com a realidade sócio-econômica e cultural da localidade.

          O segundo passo seria o das relações homem-mundo, a escolha dos temas geradores que possibilitarão o desenrolar dos conteúdos programáticos que nortearão o trabalho de um modo geral. Neste levantamento há oportunidade de se amarrar a continuidade do projeto dentro de uma mesma política sem desvios.

          Essa escolha, portanto, não pode ser um trabalho superficial, todavia, investigativo, divididos em diversos momentos que possibilitem uma relação de significação. Os temas levantados devem ser problematizados um a um para o surgimento de uma nova estruturação curricular que Paulo Freire ousou chamar de pedagogia do oprimido,  cuja elaboração ele deve participar efetivamente.

          É interessante para o conhecimento da organização escolar, o estudo da legislação que se revelará num instrumento privilegiado para análise crítica. Com relação aos passos para a exigência da reflexão filosófica, Saviani (1985), afirma: “que são radicalismo, rigor e conjunto”. E sobre a questão de conjunto chega a afirmar que: “O problema não pode ser examinado de modo parcial, mas numa perspectiva de conjunto, relacionando-se o aspecto em questão com os demais aspectos do contexto em que está inserido”.  É neste ponto que a filosofia se distingue da ciência de um modo mais marcante.  Enquanto a ciência isola o seu aspecto do contexto e o analisa separadamente, a filosofia, embora  dirigindo-se às vezes apenas a um parcela da realidade, insere-se no contexto e a examina em função do conjunto. 

          Saviani, tem um referencial teórico que vem reafirmar as idéias de Paulo Freire, com relação a questão da problematização e reflexão na situação do problema, a diferença está na terminologia que Saviani  denomina consciência reflexiva e críticamente a atividade educacional de modo a deixar claro seus fundamentos, esclarece a tarefa e contribuição de cada uma das disciplinas pedagógicas, avaliando o significado das soluções escolhidas.

          Martins (1989), aborda o termo interdisciplinariedade  como um ir além,  transdisciplinariedade  como um salto, um movimento que auxiliará a ultrapassagem das barreiras e que cumpra seus objetivos. O prefixo “ trans que originou a palavra trânsito, muito usada por Paulo Freire, vem trazer a idéia que impossível um trabalho interdddisciplinar do ponto de vista estático.  Para Martins, disciplina pode ser entendida como epistemé, podendo ser caracterizado como ordem que convém funcionamento duma organização ou regime de ordem imposta ou livremente consentida.

          Sufixo “dade” tras a idéia do sentido da ação ou resultado da ação qualidade,  estado ou, ainda medo de ser. É interessante que, assim como Paulo Freire, na Pedagogia do Oprimido, outros estudiosos venham reafirmar que o primeiro passo no caminho para a  interdisciplinariedade seria o reconhecimento da dialogicidade como método, que constituiria em mediadora entre a teoria e a prática, desencadeando um processo ação-reflexão-ação e que o segundo passo seria a auto organização concretizada num projeto  coletivo de trabalho assumindo com responsabilidade e com cooperação consciente  para todo o grupo, tendo em vista a direção política pretendida.

          Como trabalhar interdisciplinariedade sem comunicação?

          Fazenda (1979) abordou: “Pelo diálogo aprendemos a nos conhecer e, à medida que nos íamos conhecendo, íamos, também descobrindo-nos, desvelando-nos e, a partir daí criando-nos e recriando-nos criticamente, por meio da pedagogia da comunicação. A criação e a recreação advinham de uma reflexão profunda sobre nós, enquanto indivíduos, membros de um grupo. Nesta reflexão eram incorporados conceitos  que serviram de subsídios à elaboração d técnicas, conceitos e informações adequadas à nossa situação vivencial, partindo-se da nossa necessidade imediata”.

          Scheibe (1985), aborda da seguinte forma: “cada um contribuiria com algo seu, com aquilo que tinha dentro de si, com a capacidade, as dúvidas e incertezas para que não houvesse imitação, mas a construção da própria história,da  identidade de cada um”; tanto a identidade quanto a memória são em grande parte sociais. A memória não se torna viva no ato da narração e identidade é percebida quando o próprio eu é  apresentado a outro.                                                                                                      

          E na perspectiva voltada para o coletivo encontramos também, Nidelcoff (1978), onde traça a trajetória da Argentina, sua mazelas e retrocessos depois da ditadura. Há em meio a tantos outros questionamentos, as caracterizações do professor policial e do professor do povo, como sendo capaz de avançar na questão metodológica e nas experimentações; alguém que esteja preocupado em aprender e trocar experiências com seus companheiros e está consciente de que não pode criar uma nova didática imitando cegamente ou copiando tudo o que há nos livros didáticos.

          Mesmo que a palavra interdisciplinariedade seja nova no Brasil, todavia já vem sendo defendida por inúmeros estudiosos como um caminho metodológico  mais seguro, mais real  e mais contemporâneo.                

          Do século IX ao século XII, dentro da Escolasticismo,  influenciaram Tomás de Aquino dizendo que:  “ a moda educacional entrou em cena”,  este foi o escolástico mais importante, dedicou-se a tarefa de conciliar o pensamento de Aristóteles com os ensinamentos, harmonizando cristianismo com a ciência e a civilização. E foi através dele que o escolasticismo deu ânimo ao estudo da teologia e conservou o interesse nos assuntos intelectuais.

          Erasmo, apesar de fazer muitas críticas quanto a falta de instrução dos pastores, porém no sentido educacional e filosófico, acreditava que o homem é básicamente bom, portanto, devia desenvolver suas potencialidades intelectuais;  e que a educação surgiria para o desenvolvimento do homem e abrangia o estudo das obras clássicas, os escritos dos pais da igreja e a Bíblia. Também deixou para a educação um dos maiores conceitos  sobre a metodologia que os mestres deveriam usá-la como influências em suas próprias vidas.

          Muitos movimentos tiveram influência na educação e o Renascimento foi básicamente  um moviemento cultural, enquanto que a Reforma que o seguiu um movimento teológico. E às vezes é um pouco difícil separá-las  principalmente quando o assunto é encarado o ponto de vista religioso e educacional.

          O papel do mestre dentro do processo-docente é ser criativo para o desenvolvimento de suas funções e, tendo uma perspicácia profissional para recordar  verdades pedagógicas e interpretá-las criativamente e comprová-las na prática concreta do trabalho.

          A.S. Makarenko, abordou que a “Pedagogia é uma ciência dialética, flexível, complexa e variável”. Ao se expressar assim ele quis dizer que a pedagogia não nos dá receitas prontas para todos os casos da vida ou então, sugere soluções preparadas para a grande quantidade de problemas e situações no processo educativo.

          A Pedagogia é o ponto de referência e os enfoques científicos fundamentados para a solução dos problemas  pedagógicos mais complexos, incetiva o professor com a metodologia e as técnicas pedagógicas para realizar seu trabalho; portanto, somente quando o professor domina a teoria pedagógica do ensino é que poderá se converter em um  inovador e criador em potencial,  capaz de encontrar novos caminhos na educação dos jovens desta geração.

          O principal dever do mestre é ser hábil e combinar de forma eficiente todos os recursos pedagógicos, de maneira tal que cumpra os objetivos propostos. E muitas vezes a criatividade dos professores são de uma alta qualidade que tem adquirido experiências pedagógicas de alto valor.

Profa. Eliete Silva Pereira das Neves (Doutoranda)

                                  Implantadora e Consultora Acadêmica do Curso

E.mail: elietespn@hotmail.com

 

 

 
 


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Revised: April 24, 2007