Lista de
sinopses
Embora organizadas de forma sistemática, conforme a seqüência tradicional,
as sinopses podem ser consultadas isoladamente, conforme a necessidade.
FONÉTICA
1.
Fonemas e escrita alfabética
2.
Os sons do grego antigo
páginas em construção
MORFOSSINTAXE BÁSICA
3.
A frase grega
4.
Radicais, desinências, terminações
5.
Bases da flexão nominal
6.
Bases da flexão verbal
7.
As formas pessoais do verbo
8.
Concordância verbal e nominal
MORFOSSINTAXE NOMINAL
9.
O nominativo
10.
O genitivo
11.
O vocativo
12.
O dual
MORFOSSINTAXE VERBAL
13.
O infinitivo
SUMÁRIO
sinopse anterior
Fonemas e escrita
alfabética
SUMÁRIO
sinopse anterior
Fonemas e escrita alfabética
Fonética
é o estudo dos sons articulados da fala humana; fonema é uma unidade
sonora mínima que diferencia uma palavra da outra ou uma forma gramatical de
outra. Assim, nas palavras portuguesas "faz" e "fiz", são os fonemas /a/ e
/i/ que permitem o reconhecimento sonoro das duas formas verbais.
A escrita nada mais é do que "a contrapartida gráfica do discurso"
(Diringer, 1985) e envolve, portanto, a representação dos sons da fala
através de uma série de sinais.
No fim do século -VIII, os gregos adaptaram os sinais inventados séculos
antes pelos fenícios e criaram, para seu uso, o alfabeto grego. Esse
alfabeto, com modificações, é usado até hoje pelos gregos modernos e se
tornou a base do alfabeto latino usado pela maioria das línguas modernas.
|
|
letras
gregas |
nome |
translit. |
pronúncia
aproximada |
|
|
Α
Β
Γ
Δ
Ε
Ζ
Η
Θ
Ι
Κ
Λ
Μ
Ν
Ξ
Ο
Π
Ρ
Σ
Τ
Υ
Φ
Χ
Ψ
Ω, Ω
|
α
β
γ
δ
ε
ζ
η
θ, ϑ
ι
κ
λ
μ
ν
ξ
ο
π
ρ
σ, ς,
ϲ
τ
υ
φ
χ
ψ
ω |
alfa
beta
gama
delta
épsilon
zeta
eta
teta
iota
capa
lambda
mü
nü
csi
omicron
pi
rô
sigma
tau
üpsilon
fi
qui
psi
omega
|
= a
= b
= g
= d
= e
= z
= e
= th
= i
= k
= l
= m
= n
= x
= o
= p
= r
= s
= t
= u
= ph
= ch
= ps
= o |
como em "casa"
como em "bonito"
como em "gato"
como em "dado"
como em "dedo",
/e/ fechado
como em "desde"
como em "café",
/e/ aberto
como em "theater"
(no inglês)
como em "formiga"
como em "casa"
como em "lata"
como em "mato"
como em "nada"
como em "fixo"
("ficso")
como em "moça",
/o/ fechado
como em "palito"
como em "carro"
como em "sapato"
(*)
como em "tatu"
como em "lune"
(no francês)
como em "filosofia"
(na realidade, "prr")
como em "achtung"
(no alemão)
como em "psicologia"
como em "bota"
(/o/ aberto) |
Transliteração
(= translit., acima) é uma correspondência entre as letras gregas e as
letras do alfabeto latino, usada em geral por publicações que citam
passagens em grego sem usar o alfabeto grego. Note-se que o zeta [Ζ,
ζ],
embora consoante dupla, é tradicionalmente transliterada por uma única
letra, "Z, z".
Ao longo da história, existiram diversas versões regionais do alfabeto
grego; a forma atual, com 24 letras, remonta a -403, quando os atenienses
adotaram oficialmente a versão da pólis de Mileto. As letras
maiúsculas são as mais antigas; as letras minúsculas, aparentemente criadas
pelos eruditos bizantinos, começaram a ser utilizadas em manuscritos do
século IX em diante.
O quadro acima segue a recomendação da Prof. Dra. Ana Lia de Almeida Prado
em sua tradução da obra organizada por P.V. Jones, O Mundo de Atenas
(São Paulo, Martins Fontes, 1977, p. 367-368). Introduzi pequenas alterações
nos exemplos e no esquema de transliteração.
Os sons do grego antigo
SUMÁRIO
sinopse anterior
Sons articulados
Para falarmos, o ar expirado tem que passar pelo órgão fonador humano, a
laringe, onde ficam as cordas vocais. As cordas vibram em decorrência de
estímulo nervoso proveniente do cérebro e o som, "empurrado" pela coluna de
ar que atravessa a glote (abertura variável localizada entre as cordas
vocais), passa pela faringe, atinge as cavidades bucal e nasal, é modificado
por estruturas aí situadas e chega, por fim, ao ambiente exterior.
Aberturas
e fechamentos totais ou parciais, aplicados em diferentes áreas das
cavidades bucal e nasal durante a passagem da coluna de ar, produzem os
diferentes sons emitidos pela fala humana. Essas áreas são os pontos de
articulação da voz; por isso se diz que a fala humana é composta de
"sons articulados".
Há duas grandes categorias de sons falados:
vogais e
consoantes. O
som das vogais pode ser emitido de forma isolada; as consoantes só podem ser
emitidas com o apoio de vogais.
Exemplos:
-
/a/
= "a" é uma vogal;
-
/ga/,
/ma/,
/sa/
= "g", "m" e "s" são consoantes.
Vogais
Para a emissão de sons vocálicos, a coluna de ar passa livremente pela
cavidade bucal, que atua como caixa de ressonância; o que se ouve,
basicamente, é um som glotal, oriundo da glote. O grego antigo tinha
sete vogais: -α-,
-ε-,
-η-,
-ο-,
-ω-,
-ι-,
-υ-.
O grau de abertura / fechamento da mandíbula e o grau de aproximação /
afastamento da língua do palato duro e do palato mole ("céu da boca"),
durante a passagem da coluna de ar, determinam o "grau de abertura" (ou
timbre) das
vogais.
Em nosso caso,
-
-α-,
-η-
e -ω-
são vogais abertas;
-
-ε-
e -ο-
são vogais fechadas.
Outra característica relevante das vogais gregas é a "quantidade", i.e., o
tempo que se demora para emití-las. Uma
vogal breve
demorava uma unidade de tempo; uma
vogal longa,
duas unidades de tempo (a longa é sempre o dobro da breve). Exemplo: -ε-
pronunciava-se "ê"; -η-
pronunciava-se "éé". No grego, em relação à quantidade,
-
-ε-
e -ο
são vogais breves,
-
-η-
e -ω
são vogais longas e
-
-α-,
-ι-
e -υ-
são vogais ambíguas, i.e., podem ser breves ou longas.
Quando surge a eventual necessidade de especificar se uma vogal ambígua é
longa ou breve, em geral nas gramáticas e tratados afins, marca-se a vogal
com dois sinais:
-
[ ]
= mácron (gr.
μάκρον)
se for "longa";
-
[
]
= bráquia (gr.
βράχια)
se for "breve".
Exemplos: -ῡ-
(-υ-
longo) e -ῠ-
(-υ-
breve).
Ditongos
São dois sons vocálicos pronunciados na mesma emissão de voz. Em grego,
temos basicamente os seguintes ditongos:
-
1º elemento ("base") breve =
-ᾰι-
-ει- -οι- -αυ- -ευ- -ου-
-
1º
elemento ("base") longo =
-ᾱι-
-ηι-
-ηυ-
-ωι-
Com o tempo, os ditongos de base longa foram desaparecendo da língua grega,
notadamente a partir do século -IV; o
-ι-,
por exemplo, deixou de ser pronunciado. Em gramáticas mais antigas, fala-se
no iota adscrito e no iota subscrito, representações gráficas
desse fenômeno nos manuscritos do século XII em diante.
|
ᾄδει = |
ἄιδει
|
"ele/a
canta" |
|
(edições antigas) |
(edições
recentes) |
exemplo de
iota subscrito |
O uso do "iota subscrito" nas edições modernas de textos gregos, apesar da
forte tradição, é muito artificial e está rapidamente caindo em desuso;
conseqüentemente,
nestas sinopses não é usado o iota subscrito — o iota é adscrito,
como em
ἄιδει.
No século -IV, igualmente, dois ditongos de base breve,
-ει-
e
-ου-,
começaram a simplificar-se e acabaram se tornando falsos ditongos,
pronunciados respectivamente como /e/ fechado longo (= "êê") e como /o/
fechado longo (= "ôô"); mas isso praticamente não afetou a escrita.
Aspiração
Existe em grego um som oriundo diretamente da laringe, conhecido por
aspiração, produzido pela passagem um tanto forçada da coluna de ar pela
glote aberta. O som resultante é mais ou menos rude, áspero, semelhante ao
"r" da palavra rato (rrato).
Todos os sons vocálicos no início de palavras podem ser emitidos com
aspiração. Em grego, usa-se um sinal gráfico, o espírito (do latim
spiritus, "sopro"), para marcar a presença ou ausência de aspiração:
-
-Ἁ-
ou -ἁ-
= lê-se "rra" (é o -α-
com espírito "rude" ou "áspero");
-
-Ἀ-
ou -ἀ-
= lê-se "a" (é o -α
com espírito "doce").
O -υ-
inicial tem sempre espírito áspero:
-ὑ-.
Nos ditongos, o espírito recai no segundo elemento:
-εἰ-.
Dentre as consoantes, o -ρ-
inicial sempre leva espírito áspero: -ῥ-
(= "rrato"). Algumas consoantes podem ser também "aspiradas", como se verá
adiante.
Na transcrição para o português, coloca-se um "h" antes da vogal:
ὅσος,
hósos.
Consoantes
Os sons consonânticos são determinados pela imposição de diferentes tipos de
dificuldade à passagem da coluna de ar pela cavidade bucal ou pelos lábios.
Em nosso caso, interessa agrupar as consoantes de acordo com os seguintes
critérios: modo de articulação, ponto de articulação, presença de vibrações
glotais e presença de ressonância da cavidade nasal, esta produzida pelo
abaixamento do véu palatino (os palatos, o "céu da boca"):
-
quanto
ao modo de articulação —
• oclusivas = obstrução completa e momentânea da coluna de ar;
• espirantes = fechamento parcial da cavidade bucal, com "estreitamento"
contínuo da coluna de ar;
-
quanto
ao ponto de articulação —
• labiais = na altura dos lábios;
• dentais = na altura dos dentes;
• velares = na altura do véu palatino (também chamadas, impropriamente,
de guturais);
• líquidas = com fechamento parcial, provocado pela posição da ponta da
língua, mas a coluna de ar "escorre" pelos lados;
• sibilantes = com fechamento parcial, entre a ponta da língua e a parte
da frente do palato duro (som contínuo, de atrito);
-
quanto à
presença de vibrações glotais —
• mudas = vibrações ausentes;
• sonoras = vibrações presentes;
-
quanto à
presença ou não de aspiração —
• aspiradas;
-
quanto à
presença de ressonância nasal —
• nasais.
Esses critérios classificatórios não são mutuamente exclusivos e em geral as
consoantes se enquandram em mais de um critério. Do ponto de vista
eminentemente prático, faz-se em geral o seguinte arranjo:
|
|
OCLUSIVAS |
ESPIRANTES |
|
|
sonoras
|
surdas
|
aspiradas
* |
líquidas
|
nasais
|
sibilantes
|
|
labiais
|
β |
π |
φ |
- |
μ |
F |
|
dentais
|
δ |
τ |
θ |
λ |
ν |
σ, ς |
|
guturais
|
γ |
κ |
χ |
ρ |
γ ** |
j, y |
As consoantes duplas, não colocadas na tabela acima, devem ser encaradas
como a representação gráfica de dois sons consonânticos consecutivos:
-
ζ
= σδ
ou
δσ
(pronunciava-se /zd/ ou /dz/);
-
ξ =
κσ;
-
ψ =
πσ.
(*) As consoantes aspiradas representam também dois sons sucessivos, o da
consoante e o da aspiração:
φ
= π ̔
(pronunciava-se prr)
θ
= τ ̔
(pronunciava-se trr)
χ
= κ ̔
(pronunciava-se krr)
(**) A letra
-γ-
antes de gutural (γ,
κ,
ξ
ou χ)
representa um som nasal.
Exemplo:
ἄγγελος,
mensageiro (pronunciava-se "ângueloss")
Sonantes
No idioma indo-europeu, a partir do qual o grego antigo se formou, havia
seis fonemas de caráter contínuo (espirante) e sonoro que ora apareciam como
segundo elemento de ditongos, ora como vogais, ora como consoantes.
No grego, conservaram-se:
-
duas
sonantes líquidas, no papel de consoantes: -λ-
e -ρ-;
-
duas
sonantes nasais, no papel de consoantes: -μ-
e -ν-;
-
o -y-
(yod) e o -F- (digama ou vau), com sons de "i"
e de "u", respectivamente, no papel de vogal ou de consoante.
O -y- e o -F- desapareceram do grego no início do período
histórico, mas deixaram vários resquícios, entre eles os sons -ι-
e -υ-
no segundo elemento dos ditongos. Devido ao seu comportamento ambígüo, o -ι-
e o -υ-
são freqüentemente chamados de semivogais.
As sonantes líquidas e nasais também deixaram, em algumas palavras, sinais
de sua utilização como vogais.
Valem, para o grego antigo, praticamente os mesmos conceitos aplicáveis às
línguas em geral e às línguas indo-européias em particular.
A frase grega
SUMÁRIO
sinopse anterior
Valem, para o grego antigo, praticamente os mesmos conceitos aplicáveis às
línguas em geral e às línguas indo-européias em particular.
O enunciado
em grego
Em certo sentido,
discurso e
enunciado são conceitos semelhantes. "O enunciado é uma palavra ou um
conjunto delas que exprime um pensamento inteiro, acabado" (Murachco, 2001).
No grego antigo encontraremos as mesmas classes de palavras do português:
-
substantivos
designam / identificam seres, objetos e abstrações
v.g.
Ἀχιλλεύς,
"Aquiles",
φθόγγος,
"ruído",
ὀρνίθων,
"aves"
-
adjetivos
caracterizam ou determinam os substantivos
v.g.
ἀγαθοῖς,
"bons",
εὐδαίμονα,
"feliz"
• estão incluídos os numerais, v.g.
τρεῖς,
"três"
-
pronomes
desempenham a função do substantivo e/ou do adjetivo
v.g.
ἐγώ,
"eu",
σέ,
"te"
• estão incluídos os artigos definidos, v.g.
τῶν,
"os",
τὸ,
"o"
-
verbos
indicam um processo (ação, estado ou passagem de um
estado a outro)
v.g.
ζηλῶ,
"eu invejo" e
τρέχει,
"ele corre"
-
advérbios
determinantes de local, tempo ou modo
(intensificação, negação, etc.) de verbos e adjetivos
v.g.
οὐκ,
"não",
πολλάκις,
"muitas vezes",
πότε,
"quando?"
-
conjunções
coordenam palavras, expressões e orações, ou uma
subordinação entre orações (cf. infra)
v.g.
καὶ,
"e",
εἰ,
"se",
ὅτι,
"que, porque"
-
preposições
medeiam o processo de subordinação entre complemento
e complementado
v.g.
ὑπό,
"por, sob",
παρά,
"junto de",
περί,
"em volta de"
O grego antigo tem, além das conjunções e preposições, numerosas outras
partículas,
palavras curtas e invariáveis, difíceis de agrupar:
-
partículas exclamativas ("interjeições");
-
partículas enfáticas, explicativas e muitas outras.
Frase,
oração e seus elementos
A frase é a
unidade básica e mais elementar do discurso:
|
οἴμοι.
"Ai de mim!"
|
ἄγαγε.
"Fora!"
|
ζηλῶ σέ,
γέρον.
"Invejo-te,
meu velho."
|
Temos, acima, três frases, pois são enunciados de sentido completo
acompanhados de entonação, de melodia.
A frase pode conter uma ou mais orações; fala-se em
oração quando a
frase tem esquema discursivo completo, com seus elementos essenciais, e se
presta a uma análise de seus constituintes. Apenas a frase
"ζηλῶ
σέ,
γέρον"
(E.IA. 17), supra, é também uma oração.
1. Elementos
essenciais da oração
Na oração há apenas dois elementos essenciais: o que denota o processo, a
ação (predicado),
e o que denota o agente do processo (sujeito):
1.
Ἀχιλλεύς
τρέχει.
"Aquiles corre."
No exemplo acima,
τρέχει,
"corre", é o processo, e
Ἀχιλλεύς,
"Aquiles", é o agente do processo.
O elemento básico da
oração é o predicado, que pode estar claramente expresso, como no
exemplo acima, ou então oculto:
2.
οὔκουν
φθόγγος
γ'
οὔτ'
ὀρνίθων
οὔτε
θαλάσσης.
"Nenhum ruído, nem de aves, nem do mar." (E.IA
9-10)
As categorias de palavras que exercem a função de sujeito e de predicado na
frase são, habitualmente, o
substantivo
(sujeito) e o verbo
(predicado).
Note-se que o verbo de ligação
εἰμί,
"eu sou / estou / existo", em geral fica subentendido:
3.
ἄριστον
μὲν
ὕδωρ
(ἐστίν).
"grande coisa (é), realmente, a água." (P.O.
1.1)
2. Complementos
nominais e verbais
4.
ἐγένοντο Λήδαι Θεστιάδι τρεῖς παρθένοι·
"nasceram
de Leda, filha de Téstio, três donzelas:" (E.IA. 49)
5.
οὐκ ἐπὶ πᾶσίν σ'
ἐφύτευσ'
ἀγαθοῖς,
Αγάμεμνον,
Ατρεύς.
"Atreu
não te engendrou para todas as boas coisas, Agamêmnon." (E.IA. 29-30
Na primeira oração, o núcleo do sujeito é
παρθένοι,
"donzelas", e o verbo é
ἐγένοντο,
"nasceram". Na segunda, o sujeito é
Ατρεύς,
"Atreu" e o verbo é
ἐφύτευσα,
"engendrou".
As outras palavras são
complementos que qualificam, especificam ou delimitam
circunstancialmente esses e outros elementos das orações.
Existem, em grego, praticamente os mesmos complementos do português; por
razões estritamente didáticas, no entanto, nestas sinopses eles serão
simplificados da seguinte forma:
-
complemento nominal: completa ou especifica, na acepção mais ampla do
termo, o sentido dos substantivos
v.g.
ὀρνίθων,
"de aves" e
θαλάσσης,
"do mar" (exemplo 2)
substantivos,
adjetivos, pronomes, advérbios
-
aposto:
explicação ou apreciação que se junta a um substantivo ou pronome; não
completa o sentido dele, só explica
v.g.
Θεστιάδι,
"filha de Téstio" (exemplo 4)
substantivos
-
predicativo: completa o sentido dos verbos de estado ("verbos de ligação")
v.g.
ἀγαθός,
"bom", na oração
ὁ
πατήρ
ἀγαθός
ἐστίν,
"meu pai é bom"
substantivos,
adjetivos
-
objeto:
complemento verbal, completa a noção contida na ação verbal
v.g.
παῖδας,
"crianças", na oração
διδάσκω
τοὺς
παῖδας,
"eu ensino as crianças", e o pronome
σ'
(σέ)
no exemplo 5
substantivos,
pronomes, adjetivos numerais
N.b.: no grego, como se verá, não faz o menor sentido usar as nomenclaturas
"objeto direto", "objeto indireto" e "objeto direto preposicionado"
-
agente
da passiva: complemento verbal sobre o qual recai o processo indicado pelo
verbo na voz passiva
v.g.
τινος,
"alguém", na frase
φιλοῦμαι
ὑπὸ
τινος,
"sou amado por alguém"
substantivos
-
complemento circunstancial: especifica as circunstâncias envolvidas no
processo verbal, ou intensifica o sentido de verbos e adjetivos
v.g.
Λήδαι,
"de Leda" (exemplo 4) e
πᾶσίν
ἀγαθοῖς,
"para coisas boas" (exemplo 5)
substantivos,
advérbios
-
vocativo: invocação ou interpelação do ouvinte com entoação exclamativa
v.g.
Αγάμεμνον,
"Agamêmnon" (exemplo 5)
substantivos,
pronomes
Tipos de
oração
Assim como no português, no grego existe a
oração independente,
com sentido completo:
ὁρῶ
τὴν
σὴν
οἰκίαν.
"estou vendo a tua casa."
Para exprimir pensamentos mais complexos, orações independentes podem ser
colocadas lado a lado, em sucessão, sem dependerem formalmente umas das
outras.
A primeira possibilidade é o
assíndeto (gr.
ἀσύνδετος,
"não unido"):
οὗτος
ἀπήγγειλε
τὰ
ψεύδὴ,
ὑμεῖς
ἐπιστεύσατε,
οἱ
Φοκεῖς
ἐπύθοντο,
ἐνέδωκαν
ἑαυτοὺς,
ἀπόλοντο.
"ele transmitiu falsidades, vós acreditastes, os
Focídios tomaram conhecimento, entregaram-se, foram aniquilados" (D.
19.76)
ἕλκε,
τίλλε,
παῖε,
δεῖρε,
κόπτε
πρώτην
τὴν
χύτραν.
"Puxa, arranca, bate, esfola, quebra primeiro a
panela" (Ar.Av. 365)
A segunda possibilidade é o processo de justaposição através de partículas
de coordenação, a
parataxe (gr.
παράταξις):
ὁι
μέν
τινες
ἀπέθανον,
ὁι
δ'
ἥκουσιν.
"uns estão mortos, porém outros estão aqui" (And.
1.25)
τῆς
παιδείας
τὰς
μὲν
ῥίζας
εἶναι
πικράς,
γλυκεῖς
δὲ
τοὺς
καρπούς
"as sementes da educação são amargas, mas os frutos
(são) doces" (D.L. 5.18)
Os dois membros da frase, nos exemplos acima, estão coordernados pela
partículas
μέν
(1º membro) e
δέ
(2º membro), nem sempre traduzíveis.
Enunciados ainda mais complexos dependem do uso de orações subordinadas a
uma oração principal (gr.
ὑπόταξις).
As orações subordinadas podem estar ligadas ao verbo da oração principal
pelos conectivos de subordinação; do ponto de vista sintático, representam
um dos elementos da oração principal, da qual dependem.
O grego tem os mesmos tipos de oração subordinada que o português:
-
orações subordinadas
substantivas
constituem
o sujeito, o objeto, o predicativo, o complemento nominal ou o aposto da
oração principal;
-
orações subordinadas
adjetivas
constituem
um complemento nominal que determina um dos elementos da oração principal,
da mesma forma que um adjetivo o faria;
-
orações subordinadas
circunstanciais (adverbiais)
exprimem
diversas circunstâncias que afetam o verbo da oração principal.
Nos exemplos abaixo, a oração principal está sublinhada:
λέγεται
αὐτὸν
εἶναι
εὐδαίμονα.
"Ele
diz ser (= que é) feliz."
Oração
subordinada substantiva objetiva, não introduzida por conetivo.
πάντα
ἃ
βούλει
ἔξεις.
"Terás
tudo o que queres"
Oração
subordinada adjetiva, introduzida por conetivo (o pronome relativo
ἃ).
εἰ
οἱ
θεοί
εἰσι
κακοί,
οὐκ εἰσὶ θεοί.
"Se os deuses são maus,
eles não são deuses."
Oração
subordinada circunstancial condicional, introduzida por conetivo (a
conjunção
εἰ).
Substantivos, adjetivos, pronomes, verbos e advérbios formam o arcabouço das
orações e cabe às partículas importante papel relacional, pois são elas que
conectam os elementos da oração entre si (v.g. preposições, conjunções) e as
orações coordenadas e subordinadas à oração principal (v.g. conjunções).
N.b.: os pronomes relativos, embora não sejam partículas, têm igualmente
função conectiva, pois subordinam orações adjetivas à oração principal.
O enunciado
em grego
Em certo sentido,
discurso e
enunciado são conceitos semelhantes. "O enunciado é uma palavra ou um
conjunto delas que exprime um pensamento inteiro, acabado" (Murachco, 2001).
No grego antigo encontraremos as mesmas classes de palavras do português:
-
substantivos
designam / identificam seres, objetos e abstrações
v.g.
Ἀχιλλεύς,
"Aquiles",
φθόγγος,
"ruído",
ὀρνίθων,
"aves"
-
adjetivos
caracterizam ou determinam os substantivos
v.g.
ἀγαθοῖς,
"bons",
εὐδαίμονα,
"feliz"
• estão incluídos os numerais, v.g.
τρεῖς,
"três"
-
pronomes
desempenham a função do substantivo e/ou do adjetivo
v.g.
ἐγώ,
"eu",
σέ,
"te"
• estão incluídos os artigos definidos, v.g.
τῶν,
"os",
τὸ,
"o"
-
verbos
indicam um processo (ação, estado ou passagem de um
estado a outro)
v.g.
ζηλῶ,
"eu invejo" e
τρέχει,
"ele corre"
-
advérbios
determinantes de local, tempo ou modo
(intensificação, negação, etc.) de verbos e adjetivos
v.g.
οὐκ,
"não",
πολλάκις,
"muitas vezes",
πότε,
"quando?"
-
conjunções
coordenam palavras, expressões e orações, ou uma
subordinação entre orações (cf. infra)
v.g.
καὶ,
"e",
εἰ,
"se",
ὅτι,
"que, porque"
-
preposições
medeiam o processo de subordinação entre complemento
e complementado
v.g.
ὑπό,
"por, sob",
παρά,
"junto de",
περί,
"em volta de"
O grego antigo tem, além das conjunções e preposições, numerosas outras
partículas,
palavras curtas e invariáveis, difíceis de agrupar:
-
partículas exclamativas ("interjeições");
-
partículas enfáticas, explicativas e muitas outras.
Frase,
oração e seus elementos
A frase é a
unidade básica e mais elementar do discurso:
|
οἴμοι.
"Ai de mim!"
|
ἄγαγε.
"Fora!"
|
ζηλῶ σέ,
γέρον.
"Invejo-te,
meu velho."
|
Temos, acima, três frases, pois são enunciados de sentido completo
acompanhados de entonação, de melodia.
A frase pode conter uma ou mais orações; fala-se em
oração quando a
frase tem esquema discursivo completo, com seus elementos essenciais, e se
presta a uma análise de seus constituintes. Apenas a frase
"ζηλῶ
σέ,
γέρον"
(E.IA. 17), supra, é também uma oração.
1. Elementos
essenciais da oração
Na oração há apenas dois elementos essenciais: o que denota o processo, a
ação (predicado),
e o que denota o agente do processo (sujeito):
1.
Ἀχιλλεύς
τρέχει.
"Aquiles corre."
No exemplo acima,
τρέχει,
"corre", é o processo, e
Ἀχιλλεύς,
"Aquiles", é o agente do processo.
O elemento básico da
oração é o predicado, que pode estar claramente expresso, como no
exemplo acima, ou então oculto:
2.
οὔκουν
φθόγγος
γ'
οὔτ'
ὀρνίθων
οὔτε
θαλάσσης.
"Nenhum ruído, nem de aves, nem do mar." (E.IA
9-10)
As categorias de palavras que exercem a função de sujeito e de predicado na
frase são, habitualmente, o
substantivo
(sujeito) e o verbo
(predicado).
Note-se que o verbo de ligação
εἰμί,
"eu sou / estou / existo", em geral fica subentendido:
3.
ἄριστον
μὲν
ὕδωρ
(ἐστίν).
"grande coisa (é), realmente, a água." (P.O.
1.1)
2. Complementos
nominais e verbais
4.
ἐγένοντο Λήδαι Θεστιάδι τρεῖς παρθένοι·
"nasceram
de Leda, filha de Téstio, três donzelas:" (E.IA. 49)
5.
οὐκ ἐπὶ πᾶσίν σ'
ἐφύτευσ'
ἀγαθοῖς,
Αγάμεμνον,
Ατρεύς.
"Atreu
não te engendrou para todas as boas coisas, Agamêmnon." (E.IA. 29-30
Na primeira oração, o núcleo do sujeito é
παρθένοι,
"donzelas", e o verbo é
ἐγένοντο,
"nasceram". Na segunda, o sujeito é
Ατρεύς,
"Atreu" e o verbo é
ἐφύτευσα,
"engendrou".
As outras palavras são
complementos que qualificam, especificam ou delimitam
circunstancialmente esses e outros elementos das orações.
Existem, em grego, praticamente os mesmos complementos do português; por
razões estritamente didáticas, no entanto, nestas sinopses eles serão
simplificados da seguinte forma:
-
complemento nominal: completa ou especifica, na acepção mais ampla do
termo, o sentido dos substantivos
v.g.
ὀρνίθων,
"de aves" e
θαλάσσης,
"do mar" (exemplo 2)
substantivos,
adjetivos, pronomes, advérbios
-
aposto:
explicação ou apreciação que se junta a um substantivo ou pronome; não
completa o sentido dele, só explica
v.g.
Θεστιάδι,
"filha de Téstio" (exemplo 4)
substantivos
-
predicativo: completa o sentido dos verbos de estado ("verbos de ligação")
v.g.
ἀγαθός,
"bom", na oração
ὁ
πατήρ
ἀγαθός
ἐστίν,
"meu pai é bom"
substantivos,
adjetivos
-
objeto:
complemento verbal, completa a noção contida na ação verbal
v.g.
παῖδας,
"crianças", na oração
διδάσκω
τοὺς
παῖδας,
"eu ensino as crianças", e o pronome
σ'
(σέ)
no exemplo 5
substantivos,
pronomes, adjetivos numerais
N.b.: no grego, como se verá, não faz o menor sentido usar as nomenclaturas
"objeto direto", "objeto indireto" e "objeto direto preposicionado"
-
agente
da passiva: complemento verbal sobre o qual recai o processo indicado pelo
verbo na voz passiva
v.g.
τινος,
"alguém", na frase
φιλοῦμαι
ὑπὸ
τινος,
"sou amado por alguém"
substantivos
-
complemento circunstancial: especifica as circunstâncias envolvidas no
processo verbal, ou intensifica o sentido de verbos e adjetivos
v.g.
Λήδαι,
"de Leda" (exemplo 4) e
πᾶσίν
ἀγαθοῖς,
"para coisas boas" (exemplo 5)
substantivos,
advérbios
-
vocativo: invocação ou interpelação do ouvinte com entoação exclamativa
v.g.
Αγάμεμνον,
"Agamêmnon" (exemplo 5)
substantivos,
pronomes
Tipos de
oração
Assim como no português, no grego existe a
oração independente,
com sentido completo:
ὁρῶ
τὴν
σὴν
οἰκίαν.
"estou vendo a tua casa."
Para exprimir pensamentos mais complexos, orações independentes podem ser
colocadas lado a lado, em sucessão, sem dependerem formalmente umas das
outras.
A primeira possibilidade é o
assíndeto (gr.
ἀσύνδετος,
"não unido"):
οὗτος
ἀπήγγειλε
τὰ
ψεύδὴ,
ὑμεῖς
ἐπιστεύσατε,
οἱ
Φοκεῖς
ἐπύθοντο,
ἐνέδωκαν
ἑαυτοὺς,
ἀπόλοντο.
"ele transmitiu falsidades, vós acreditastes, os
Focídios tomaram conhecimento, entregaram-se, foram aniquilados" (D.
19.76)
ἕλκε,
τίλλε,
παῖε,
δεῖρε,
κόπτε
πρώτην
τὴν
χύτραν.
"Puxa, arranca, bate, esfola, quebra primeiro a
panela" (Ar.Av. 365)
A segunda possibilidade é o processo de justaposição através de partículas
de coordenação, a
parataxe (gr.
παράταξις):
ὁι
μέν
τινες
ἀπέθανον,
ὁι
δ'
ἥκουσιν.
"uns estão mortos,
porém outros estão aqui" (And. 1.25)
τῆς
παιδείας
τὰς
μὲν
ῥίζας
εἶναι
πικράς,
γλυκεῖς
δὲ
τοὺς
καρπούς
"as sementes da educação são amargas, mas os frutos
(são) doces" (D.L. 5.18)
Os dois membros da frase, nos exemplos acima, estão coordernados pela
partículas
μέν
(1º membro) e
δέ
(2º membro), nem sempre traduzíveis.
Enunciados ainda mais complexos dependem do uso de orações subordinadas a
uma oração principal (gr.
ὑπόταξις).
As orações subordinadas podem estar ligadas ao verbo da oração principal
pelos conectivos de subordinação; do ponto de vista sintático, representam
um dos elementos da oração principal, da qual dependem.
O grego tem os mesmos tipos de oração subordinada que o português:
-
orações subordinadas
substantivas
constituem
o sujeito, o objeto, o predicativo, o complemento nominal ou o aposto da
oração principal;
-
orações subordinadas
adjetivas
constituem
um complemento nominal que determina um dos elementos da oração principal,
da mesma forma que um adjetivo o faria;
-
orações subordinadas
circunstanciais (adverbiais)
exprimem
diversas circunstâncias que afetam o verbo da oração principal.
Nos exemplos abaixo, a oração principal está sublinhada:
λέγεται
αὐτὸν
εἶναι
εὐδαίμονα.
"Ele
diz ser (= que é) feliz."
Oração
subordinada substantiva objetiva, não introduzida por conetivo.
πάντα
ἃ
βούλει
ἔξεις.
"Terás
tudo o que queres"
Oração
subordinada adjetiva, introduzida por conetivo (o pronome relativo
ἃ).
εἰ
οἱ
θεοί
εἰσι
κακοί,
οὐκ εἰσὶ θεοί.
"Se os deuses são maus,
eles não são deuses."
Oração
subordinada circunstancial condicional, introduzida por conetivo (a
conjunção
εἰ).
Substantivos, adjetivos, pronomes, verbos e advérbios formam o arcabouço das
orações e cabe às partículas importante papel relacional, pois são elas que
conectam os elementos da oração entre si (v.g. preposições, conjunções) e as
orações coordenadas e subordinadas à oração principal (v.g. conjunções).
N.b.: os pronomes relativos, embora não sejam partículas, têm igualmente
função conectiva, pois subordinam orações adjetivas à oração principal.
Radicais, desinências,
terminações
SUMÁRIO
sinopse anterior
A palavra grega
Quanto à forma, as palavras gregas podem ser variáveis ou invariáveis,
exatamente como nas demais línguas indo-européias; mas, por se tratar de
língua muito antiga, de estrutura próxima à do tronco indo-europeu, as
variações morfológicas das palavras gregas são bem mais complexas do que as
das línguas mais modernas.
Há pequena quantidade de palavras invariáveis: são os advérbios, as
preposições, os conetivos e uma série de partículas de difícil classificação
que emprestavam tonalidade e ênfase variadas aos enunciados.
As palavras com formas variáveis, muito numerosas, são os substantivos,
adjetivos e pronomes, nestas sinopses chamados coletivamente de nomes, e os
verbos.
O reconhecimento de palavras invariáveis é questão de léxico; as mais
freqüentes estão listadas no
Vocabulário Fundamental.
Quanto às palavras variáveis, além da noção básica transmitida pela palavra
em si (informada pelo dicionário), é preciso identificar a forma sob a qual
se apresenta e assim determinar sua função sintática nos enunciados.
Palavras
variáveis
As palavras variavéis têm uma parte mais ou menos fixa, o radical, e outra
que varia consideravelmente, a desinência. O radical contém a noção nominal
ou verbal; a desinência marca o gênero, o número e outras categorias
gramaticais da palavra.
|
|
|
|
RADICAL
(noção
nominal:
"corvo") |
DESINÊNCIA
(masculino,
singular,
acusativo) |
No exemplo acima, as letras vermelhas assinalam o radical do substantivo
κόρακας;
as letras negras, a desinência. O radical é em geral representado sem os
acentos, seguido de um traço e muitas vezes entre colchetes: [κορακ-].
A desinência costuma ser precedida por um traço:
-ας.
Eis um panorama das noções informadas pelo radical e pelas desinências:
Raiz e
afixos do radical
Diz-se que o radical é "mais ou menos fixo" porque há, freqüentemente,
variações significativas na sua forma entre as palavras de uma mesma família
e, também, nas diversas formas de uma única palavra.
Os radicais gregos são em geral constituídos por dois elementos básicos, a
raiz e os afixos. A raiz é a parte do radical que contém o significado
básico da palavra; os afixos (prefixos, infixos e sufixos, conforme a
posição) especificam ou determinam certas nuances da noção nominal ou verbal
contida na raiz. Algumas palavras têm radical formado unicamente pela raiz.
Conside-se, por exemplo, a raiz
δο-,
que contém a noção geral de "dar":
-
na
palavra
δοτήρ,
-τηρ
é um sufixo de agente que especifica o valor da raiz; daí a
tradução, "aquele que dá", "doador";
-
em
δόσις,
-σις
é um sufixo de ação, isto é, que indica uma ação; a tradução, nesse
caso, é "aquilo que é dado", "doação" (daí, "dose" — algo que é dado em
certas quantidades);
-
na forma
verbal
δίδομεν,
δι-
é um prefixo especial, conhecido por redobro em
-ι-,
que nesse caso marca o aspecto durativo da ação verbal;
-μεν
não faz parte do radical, é a desinência da 1ª pessoa do plural.
Tradução: "nós damos".
Alternâncias
vocálicas
A parte mais estável do radical é, em geral, o arcabouço consonântico; as
variações mais freqüentes ocorrem em determinadas vogais e são chamadas de
alternâncias vocálicas — ou
apofonia.
Considere-se, por exemplo, algumas formas ativas do verbo
λείπω,
"eu deixo":
-
ἔλιπον = aoristo, indicativo, 1ª sg.
-
λείπω
= imperfectivo, indicativo presente, 1ª sg.
-
λέλοιπα = perfectivo, indicativo presente, 1ª sg.
As sutis alterações no grupo vocálico do radical primitivo (λιπ-,
radical do aoristo), constituídas pela inserção das vogais
-ε-
e
-ο-,
indentificam uma nuance do ato verbal conhecida por
"aspecto verbal"
(imperfectivo, aoristo, perfectivo) para cada uma dessas formas.
Os lingüistas chamam essa vogal variável de "vogal alternante" e as
alternâncias são chamadas de graus.
Neste caso,
temos:
-
o grau
zero (λ ιπ-);
-
o grau pleno (λειπ-);
-
o grau fletido (λοιπ--).
Nos radicais nominais, a apofonia é mais evidente na vogal temática,
sufixo posicionado no fim do radical de algumas palavras. Essa vogal sofre,
notadamente, alterações no timbre.
Considere-se, por exemplo, algumas formas do substantivo
λύκος,
"lobo":
1.
λύκε
= vocativo sg. :: grau
-ε-
2.
λύκος
= nominativo sg. :: grau
-ο-
É costume representar graficamente a vogal temática assim: -ε/ο-.
No exemplo acima, portanto, o radical é
λυκε/ο-.
Alguns verbos também têm uma vogal alternante -ε/ο-,
muito semelhante à dos nomes, entre o radical e a desinência de certas
formas verbais. Vejamos, por exemplo, duas formas ativas do verbo
λύω-,
"eu desato":
1.
λύ-ο-μεν
= imperfectivo, indicativo presente, 1ª pl. :: grau
-ο-
2.
λύ-ε-τε
= imperfectivo, indicativo presente, 2ª pl. :: grau
-ε-
Há divergências quanto à etimologia dessa vogal alternante dos verbos. Quase
todos os gramáticos chamam-na de "vogal temática" e, de acordo com sua
presença nas formas do sistema do imperfectivo, agrupam os verbos gregos em
verbos temáticos e verbos atemáticos. Murachco, por outro
lado, considera-a apenas uma "vogal de apoio ou de ligação", recurso
fonético criado para acomodar problemas de pronúncia.
Do ponto de vista prático, independentemente da nomenclatura,
trata-se de vogal
alternante... E, como se verá, a terminologia verbos temáticos
e verbos atemáticos é inadequada de qualquer ponto de vista.
Desinências
e terminações
A parte final, flexível, das palavras variáveis — nomes e verbos — recebe
diversas denominações. Nestas sinopses, adoto os critérios discutidos por
Freire (p. 15 e 60-61) para diferenciar "desinência" de "terminação".
Eis um exemplo tirado do verbo
λυ-,
"desatar":
|
|
|
|
|
RADICAL
(noção verbal,
aspecto) |
|
DESINÊNCIA
(pessoa,
número) |
Desinência é um sufixo colocado depois do radical das palavras variáveis
para marcar as categorias gramaticais (gênero, número, caso, pessoa do
discurso, etc.).
Terminação é o conjunto de "letras móveis" do fim da palavra e que
geralmente engloba a desinência, eventuais letras móveis do fim do radical e
certos infixos colocados entre o radical e a desinência.
No substantivo
κορακ-,
"corvo", a forma
κόρακ-ας
pode ser decomposta em
κόρακ-,
radical, e
-ας,
desinência. A desinência e a terminação neste caso são a mesma coisa.
No verbo
λύομεν,
que acabamos de ver,
λυ-
é o radical,
-ο-
é a vogal alternante,
-μεν
é a desinência;
-ομεν,
portanto, é a terminação.
No substantivo
δοτηρ-,
"doador",
δοτηρ-
é o próprio radical e não há desinência visível. Neste caso, diz-se que a
palavra tem desinência "zero", representada pelo sinal
-ø.
Flexão nominal básica
SUMÁRIO
sinopse anterior
Radicais nominais
A flexão nominal compreende o conjunto de variações morfológicas assumidas
por substantivos, adjetivos, pronomes e formas participiais do verbo em
diferentes situações.
Considemos a
oração
|
ὁ
ἵππος
τὸν
ἵππον
βλέπει.
"o
cavalo olha o cavalo"
|
|
Observe-se a palavra "cavalo", cujo radical, neste exemplo, tem a forma
ἵππο-;
ela aparece em dois formatos,
ἵππος
e
ἵππον.
O radical encerra a noção nominal, "cavalo"; a forma
ἵππος,
que é um nominativo masculino singular, marca o gênero, o número e a função
de "sujeito" da frase; a forma
ἵππον,
um acusativo masculino singular, assinala a função de "objeto" do verbo
βλέπει,
além do gênero e do número. A diferença entre as duas formas da palavra
"cavalo" reside na terminação:
-ος
no primeiro caso,
-ον
no segundo.
Os radicais nominais dos substantivos costumam ser agrupados de acordo com a
última letra do radical em três grandes grupos ou declinações:
1.
Radicais em
-α(η)
2.
Radicais em -ε/ο-
3.
Radicais em consoante / sonante
a. em
-γ,
-κ,
χ
(guturais)
b. em
-δ,
-τ,
-θ
(dentais)
c. em
-β,
-π,
-φ
(labiais)
d.
em
-μ, -ν (nasais)
e.
em
-λ, -ρ (líquida)
f.
em
-σ
(sibilante)
g. em
-ι,
-υ,
-F (sonantes)
A morfologia nominal básica é a dos substantivos; adjetivos e pronomes podem
ter o radical classificado mais ou menos do mesmo modo. Ver
paradigmas nominais.
Dá-se o nome de "declinação" ao conjunto das formas flexionais que os nomes
podem assumir no enunciado. Declinar uma palavra é enunciar, de forma
sistemática, suas diferentes formas.
A noção contida no radical nominal é informada pelo dicionário. Veja as
formas dicionarizadas dos nomes no
léxico.
Desinências
nominais básicas
O substantivo
κορακ-,
"corvo ", por exemplo, pode assumir as seguintes formas:
κόραξ
(<
κόρακς)
κόρακα
κόρακος
κόρακι
κόρακες
κόρακας
κοράκων
κόραξι
(<
κόρακσι)
κόρακε
κοράκοιν
Compare-se
κόραξ
[κορακ-]
com o substantivo português "mesa" [mesa-], por exemplo, que tem apenas as
seguintes flexões para exprimir gênero e número: mesa-a (>
mesa), mesa-s.
As desinências nominais acrescentam ao radical dos substantivos, adjetivos,
pronomes e particípios as noções gramaticais de gênero, de número e de caso.
GÊNERO
As formas nominais podem ser masculinas, femininas ou neutras. O masculino e
o feminino são gêneros "animados", isto é, referem-se a seres do sexo
masculino ou do sexo feminino. O neutro é um gênero "inanimado", que reflete
a ausência de gênero (nem masculino, nem feminino). Mas o gênero
gramatical nem sempre é igual ao gênero natural; v.g. rios e
ventos são masculinos porque, para os gregos, eram divindades do sexo
masculino.
NÚMERO
O singular designa um único ser / objeto; o plural, mais de um ser / objeto;
o dual, um par de seres / objetos, como por exemplo os dois olhos.
CASO
O grego tinha, praticamente, cinco casos: o nominativo, o vocativo, o
acusativo, o genitivo e o dativo; o locativo e o instrumental,
morfologicamente semelhantes ao dativo, existiam ainda em forma vestigial.
As desinências casuais, tanto em sentido concreto como em sentido abstrato,
tinham a função básica de:
§
nominativo = identificar, nomear o ser / objeto;
§
vocativo
= interpelar, chamar;
§
acusativo = marcar o percurso no tempo e no espaço;
§
genitivo = marcar a origem, a separação;
§
dativo
= marcar a atribuição;
§
locativo = marcar o lugar em que se está, no tempo ou no espaço;
§
instrumenal = exprimir o meio / instrumento usado para um ato.
Eis as desinências básicas que permitem a identificação do gênero, do número
e do caso dos nomes no singular e no plural:
|
|
|
|
sg.
|
pl.
|
|
|
|
|
N
|
A
|
G
|
DLI
|
N
|
A
|
G
|
DLI
|
|
|
|
M e F
|
-ø
-ς |
-ν
-α |
-ς
-ιο
-ος |
-ι |
-ι
-ες |
-νς
-ας |
-ων |
-ις
-σι |
|
Ne
|
-ø
-ν |
-ν
-α |
-ς
-ιο
-ος |
-ι |
-α |
-α |
-ων |
-ις
-σι |
|
|
Observações:
1. A
notação
-ø
assinala a ausência de desinência (radical puro);
2. O
nominativo e o acusativo dos nomes neutros têm as mesmas desinências;
3. O
dativo, o locativo e o instrumental têm as mesmas desinências;
4. Para o
vocativo, v.
vocativo;
5. Para o
dual, v.
dual.
O contato entre a última letra do radical e a primeira letra da desinência
resulta quase sempre em alterações fonéticas mais ou menos previsíveis; v.
detalhes nos
paradigmas nominais.
Flexão verbal básica
SUMÁRIO
sinopse anterior
Radicais e terminações
verbais
Verbos são palavras que exprimem ação, estado ou fenômeno. A flexão verbal
compreende o conjunto de variações morfológicas assumidas pelos verbos
conforme as exigências do enunciado.
As formas verbais variam de acordo com o aspecto, a voz, o número e o modo;
variam, ademais, de acordo com a pessoa do discurso, nas formas ditas
pessoais ou finitas, e de acordo com o caso, nas formas nominais.
O momento temporal do ato verbal, no grego antigo, tem valor muito menor que
a noção de aspecto.
O falante do português já está razoavelmente familiarizado com a riqueza de
formas flexionais e com a maioria dos conceitos que envolvem a flexão verbal
do português, língua indo-européia moderna. Veja-se, por exemplo, os
elementos constituintes da forma verbal "falávamos":
falávamos = fal + á + va + mos
|
fal =
á =
va =
mos = |
raiz (parte do radical) :: contém a noção verbal, "emitir sons
articulados"
vogal temática (parte do radical) :: identifica a 1ª conjugação
desinência modo-temporal :: na 1ª conjugação, identifica o pretérito
imperfeito do indicativo (ação que ocorre em passado que se prolonga)
desinência número-pessoal :: identifica a 1ª pessoa do plural
|
Agora, para comparação, os elementos da forma verbal grega
λύομεν,
"desatamos":
λύομεν
= λύ + ø + ο + μεν
|
λύ
=
ø
=
ο
=
μεν = |
radical :: contém a noção verbal, "desatar", e o aspecto durativo
desinência modal :: identifica o modo indicativo
vogal de ligação -ε/ο-
com o grau -ο-
desinência número-pessoal :: identifica a 1ª pessoa do plural
|
A noção básica da ação verbal e o aspecto estão contidos no radical; as
outras noções (modo, voz, número, pessoa do discurso) são informadas, via de
regra, pelas terminações.
O tempo
verbal
"Tempo verbal" é o nome que se dá à situação do processo verbal em relação
ao momento temporal em que se fala. O grego antigo, assim como as outras
línguas indo-européias, tem três momentos temporais:
-
presente:
o ato verbal ocorre no momento em que se fala;
-
pretérito
(passado): o ato verbal ocorre antes do momento em
que se fala;
-
futuro:
o ato verbal ocorrerá após o momento em que se fala.
Em grego, a noção de momento temporal é secundária à noção de aspecto e tem
uma certa importância somente no modo indicativo e, em pequena escala, nas
formas nominais do verbo; nos outros modos, predomina a noção de aspecto.
Consideremos, por exemplo, duas formas verbais da voz ativa do sistema do
aoristo, cujo radical exprime a noção verbal de forma pura e abstrata, sem
qualquer nuance:
|
ἐ-παίδευσ-α-ς |
|
ao.ind.at.2.sg. |
|
tu
educaste |
|
παιδεύσ-ηι-ς
|
|
ao.subj.at.2.sg. |
|
educar,
eventualmente, tu |
No primeiro exemplo, a forma verbal está no modo indicativo, o modo
dos fatos reais; para marcar o tempo pretérito é preciso acrescentar um
prefixo especial ao radical do aoristo, o aumento (-ἐ-).
Quem marca o momento temporal, portanto, é o aumento; não é o radical do
aoristo, não é o modo indicativo.
No segundo exemplo, temos o modo subjuntivo, que exprime, entre
outras coisas, a eventualidade; o radical do aoristo é o mesmo, mas sem o
aumento. O radical dessa forma verbal é, portanto, desprovida de qualquer
conotação temporal. O radical do aoristo marca o "ato de educar", o modo
subjuntivo marca a "eventualidade" desse ato, e a desinência marca a pessoa
do discurso, "tu". O momento temporal pode ser ontem, hoje ou amanhã...
N.b.. No português, o modo subjuntivo tem três "tempos" e a noção temporal é
predominante: presente do subjuntivo, "eduques tu"; pretério imperfeito do
subjuntivo, "educasses tu"; futuro do subjuntivo, "educares tu". A diferença
entre o grego e o português é, como se vê, considerável.
É inadequada, conseqüentemente, a insistência da maioria das gramáticas
tradicionais em atribuir aos grupos flexionais do verbo grego rótulos do
tipo "subjuntivo presente" e "optativo presente", entre outros. A noção
temporal praticamente não existe, em grego, fora do indicativo, e mesmo
assim são necessários afixos para marcá-la.
Por essas razões, nestas sinopses o estudo das formas verbais gregas se
baseia na identificação do aspecto verbal e não em categorias gramaticais
ispiradas pelo latim e pelo português ("mais-que-perfeito", "imperfeito",
etc.), que em nada auxiliam o estudo do grego.
O aspecto
verbal
O aspecto, a mais importante nuance do ato verbal marcada pelo radical dos
verbos, se refere ao "grau de acabamento", à completitude da ação verbal. Há
três aspectos básicos, o
aoristo, o
imperfectivo e
o perfectivo:
|
aoristo
|
|
ato verbal
pontual,
puro e simples, sem qualquer nuance; aspecto "zero" |
|
imperfectivo |
|
ato verbal durativo,
inacabado,
que teve início e ainda está em processamento |
|
perfectivo
|
|
ato verbal completo,
acabado,
que teve início e teve fim |
N.b.. Muitas gramáticas chamam o aspecto imperfectivo de "presente" e o
aspecto perfectivo de "perfeito". Nestas sinopses será evitada essa
nomenclatura, pois implica confusão com o português.
O futuro é
desprovido de aspecto (aspecto "zero") e constitui mero deslocamento do ato
verbal para o futuro. É, portanto, aparentado ao aoristo e, apesar de não
refletir propriamente um aspecto verbal, seu radical têm variações muito
semelhantes às dos aspectos.
Os radicais das formas verbais marcam, portanto, a oposição entre quatro
sistemas morfológicos:
§
o sistema do aoristo;
§
o sistema do imperfectivo;
§
o sistema do perfectivo;
§
o sistema do futuro.
Muitos dentre os verbos mais antigos da língua têm radicais com mais de uma
raiz; verbos recentes, formados a partir da tendência natural da língua de
formar uma conjugação regular a partir de uma única raiz, têm um só tipo de
radical que, no entanto, pode sofrer ajustes fonéticos.
Exemplos:
|
|
|
|
φέρω |
παιδεύω |
μανθάνω |
|
|
|
aoristo |
ἐνεγκ- |
παιδευσ- |
μαθ- |
|
futuro |
οἰσ- |
παιδευσ- |
μαθησ- |
|
imperfectivo |
φερ- |
παιδευ- |
μανθαν- |
|
perfectivo |
ἐνενοχ- |
πεπαιδευ- |
μεμαθη- |
|
|
Note-se que
-
φέρω
[φερ-],
"eu levo", tem mais de uma raiz;
-
παιδεύω [παιδευ-],
"eu educo", tem uma só raiz, que não se altera;
-
μανθάνω [μαθ-],
"ensinar, aprender" tem uma só raiz, que recebe certos afixos e sofre
alterações fonéticas.
O reconhecimento dos radicais do verbos mais antigos depende, em geral, de
consulta ao dicionário; no caso dos verbos mais recentes, regulares, os
radicais são habitualmente previsíveis.
Ver os
paradigmas.
A voz
A voz é a categoria gramatical que marca, em todas as línguas
indo-européias, o relacionamento entre a forma verbal e o seu sujeito.
A mais antiga, historicamente, é a
voz ativa, em
que o processo verbal parte do sujeito. O sujeito, portanto, pratica a ação
verbal, é um sujeito "emissor".
Exemplos:
-
θύω,
"eu realizo um sacrifício"
-
παιδεύω,
"eu educo"
Posteriormente, surgiu a
voz média,
utilizada quando o sujeito pratica uma ação na qual ele tem interesse ou se
empenha particularmente. De certa forma, o sujeito é emissor e receptor da
ação verbal.
Exemplos:
-
θύομαι,
"eu realizo um sacrifício em meu benefício"
-
παιδεύομαι
τὸν
ὑόν,
"eu mando educar meu filho"
Na voz passiva,
que se desenvolveu posteriormente a partir da voz média, o processo verbal
recai sobre o sujeito, isto é, o sujeito "sofre / recebe" a ação verbal
(sujeito "receptor").
Exemplo:
-
θύονται,
"eles são sacrificados"
-
παιδεύονται,
"eles são instruídos"
Alguns verbos não existem em todas as vozes. Por exemplo,
τρέχω,
"eu corro", só existe na voz ativa;
γίγνομαι,
"eu me torno", só existe na voz média.
Há verbos que têm formas ativas no imperfectivo e, no futuro, só formas
médias. Por exemplo:
λαμβάνω,
"eu pego";
λήψομαι,
"eu pegarei".
A arquitetura morfológica da voz média e da voz passiva é muito regular, com
poucos "acidentes fonéticos"; a arquitetura da voz ativa, por outro lado, é
pouco rigorosa e diversas alterações fonéticas, mais ou menos evidentes,
ocorrem.
Eis um quadro sinóptico das vozes do verbo
παιδεύω,
"eu educo", na 3ª pessoa do singular do modo indicativo:
|
|
|
|
aoristo |
futuro |
imperfectivo |
perfectivo |
|
|
|
ativa |
ἐπαίδευσε |
παιδεύσει |
παιδεύει |
πεπαίδευκε |
|
média |
ἐπαιδεύσατο |
παιδεύσεται |
παιδεύεται |
πεπαίδευται |
|
passiva |
ἐπαιδεύθη |
παιδευθήσεται |
παιδεύεται |
πεπαιδεύται |
|
|
Quando o radical é o do aoristo ou o do futuro, as três vozes são
perfeitamente discerníveis; as vozes ativa e média se diferenciam pela
desinência número-pessoal e a voz passiva utiliza o sufixo
-θη-
(às vezes
-η-)
aposto ao radical.
Quando o radical é o do imperfectivo ou do perfectivo, as formas médias e
passivas são sempre iguais e por isso são chamadas de
médio-passivas;
nesse caso, voz média e voz passiva devem ser identificadas pelo contexto.
Formas
pessoais e impessoais do verbo
As formas da flexão verbal que marcam as pessoas do discurso (eu, tu, vós,
etc.) são ditas
pessoais ou
finitas, pois "limitam" a noção verbal, isto é, delimitam o ato
verbal na esfera de influência da pessoa ou pessoas do discurso.
As formas do infinitivo e do particípio, que expressam o ato verbal como se
fosse um nome, são ditas
impessoais ou
nominais;
fala-se também em "modo infinitivo" e "modo particípio".
O radical do verbo marca, em todas as formas verbais, o aspecto e,
eventualmente, o momento temporal do ato verbal; nos sistemas do aoristo e
do futuro, marca também a voz passiva.
As terminações assinalam, por sua vez, o número (singular, plural, dual), a
voz (ativa, média e, fora do aoristo, a passiva) e mais as seguintes
categorias gramaticais:
§
nas formas pessoais:
modos:
indicativo, imperativo, subjuntivo, optativo;
pessoas
do discurso: 1ª, 2ª, 3ª;
§
nas formas infinitivas:
nada
mais;
§
nas formas
participiais:
gêneros:
masculino, feminino, neutro;
casos:
nominativo, acusativo, genitivo, dativo, locativo, instrumental.
Panorama das
formas verbais:
As formas pessoais do verbo
SUMÁRIO
sinopse anterior
Os modos pessoais
O sistema modal do grego antigo exprimia a oposição entre a expressão
objetiva e a expressão subjetiva da ação verbal.
Na história da língua, surgiram primeiro os dois modos objetivos, o
indicativo e o
imperativo. O
subjuntivo e o
optativo
surgiram posteriormente, diante da necessidade de exprimir atos verbais
fatos de forma subjetiva.
Os modos pessoais são, portanto, quatro:
INDICATIVO
Exprime
objetivamente
ação ou o estado verbal como fato puro e simples, determinado e real.
παιδεύομεν,
"nós educamos".
IMPERATIVO
Exprime
objetivamente
a ordem ou a probição.
παίδευε,
"educa tu".
SUBJUNTIVO
Exprime a ação como uma vontade ou como uma eventualidade; noções
essencialmente
subjetivas.
παιδεύωμεν,
"nós educaríamos".
OPTATIVO
Exprime a possibilidade e o desejo, noções essencialmente
subjetivas.
παιδεύοιμεν,
"possamos nós educar".
O indicativo e o imperativo marcam, basicamente, o que é factual; o
subjuntivo, o que é prospectivo, isto é, pode acontecer no futuro; o
optativo marca uma ação ainda mais remotamente prospectiva.
Morfologicamente, a oposição entre modos objetivos e subjetivos se manifesta
pelas desinências modais, infixos posicionados entre o radical e as
desinências número-pessoais, e pelo uso dos advérbios de negação próprios às
nuances modais:
|
modos |
sufixo
modal |
negação |
nuance
básica |
|
indicativo |
-ø- |
οὐ |
objetiva |
|
imperativo |
-ø- |
οὐ |
objetiva |
|
subjuntivo |
-η/ω- |
μή |
subjetiva |
|
optativo |
-ιη/ι- |
μή |
subjetiva |
Pessoas do
discurso e número
Nos modos pessoais, as terminações identificam também a pessoa do discurso e
seu número.
As pessoas do
discurso são três:
-
1ª = a
pessoa que fala (eu, nós);
-
2ª = a
pessoa com quem se fala (tu, vós);
-
3ª = a
pessoa / objeto de quem se fala (ele, ela, eles, elas).
O número de pessoas do discurso admite também três possibilidades:
-
singular
= designa um único ser / objeto;
-
plural
= designa a pessoa que fala e outras pessoas ao mesmo tempo;
-
dual =
designa dois seres / objetos; existe apenas para a 2ª e a 3ª pessoa do
discurso.
O homem grego usava muitas vezes a primeira pessoa do plural para se referir
a si mesmo, mais ou menos como o "plural de modéstia" do português:
φέρε
κοίνωσον
μῦθον
ἐς
ἡμᾶς.
πρὸς
δ'
ἄνδρ'
ἀγαθὸν
πιστόν
τε
φράσεις:
Vamos, compartilha
conosco
essa história,
vais contá-la a um homem bom e fiel;
E.IA,
44-45.
A segunda pessoa do singular (tu) era usada pelos gregos para se dirigir a
todos — homens, reis ou deuses. O "você" da língua portuguesa, de origem
litúrgica e servil (Murachco), não teria o menor sentido para um grego.
Desinências
número-pessoais
Em essência, tais desinências exprimem as relações entre as pessoas do
discurso e as formas verbais. Além da pessoa do discurso e do número, marcam
as vozes verbais ativa e médio-passiva; a voz passiva dos sistemas do
aoristo e do futuro, reconhecíveis pelo radical, usam respectivamente as
desinências ativas e médio-passivas.
Há três tipos básicos de desinência, que se distinguem quanto às nuances
temporais e modais da ação verbal:
1.
desinências primárias:
próprias dos momentos temporais "presente" e "futuro" e do modo subjuntivo;
2.
desinências secundárias:
próprias do momento temporal "passado" e do modo optativo;
3.
desinências do imperativo:
próprias e específicas desse modo verbal.
|
formas |
número |
pessoa |
primárias |
secundárias |
imperativo |
|
ativas |
sg. |
1ª |
-ω / -μι |
-ν |
— |
|
2ª |
-ς |
-ς |
-θι / -ø |
|
3ª |
-τι > -σι |
-ø |
-τω |
|
pl. |
1ª |
-μεν |
-μεν |
— |
|
2ª |
-τε |
-τε |
-τε |
|
3ª |
-ντι |
-ν / -σαν |
-ντων
(*) |
|
médias |
sg. |
1ª |
-μαι |
-μην |
— |
|
2ª |
-σαι |
-σο |
-σο |
|
3ª |
-ται |
-το |
-σθω |
|
pl. |
1ª |
-μεθα |
-μεθα |
— |
|
2ª |
-σθε |
-σθε |
-σθε |
|
3ª |
-νται |
-ντο |
-σθων
(**) |
(*) a partir do século -IV,
-τωσαν
(**) a partir do século -IV,
-σθωσαν
Observações:
1. a
notação
-ø
assinala a ausência de desinência ou a queda de desinência antiga;
2.
o contato entre a última letra do radical e a primeira letra da desinência
número-pessoal resulta muitas vezes em alterações fonéticas, notadamente na
voz ativa; v.
paradigmas;
3.
para as desinências do dual, v.
dual.
Conjugação
dos modos pessoais
Conjugações são os conjuntos de flexões verbais organizadas de acordo com o
aspecto, o modo, o tempo, a pessoa do discurso e o número das formas
verbais.
A meu ver, não é correto chamarmos os grupos flexionais verbais do grego
antigo de "tempos", como em latim e em português (presente do indicativo,
mais-que-perfeito, etc.), uma vez que os conceitos envolvidos são
diferentes. Em grego, o aspecto verbal é o conceito mais importante; em
latim e em português, o momento temporal.
Devido à importância predominante da noção de aspecto em detrimento da noção
de tempo, os grupos flexionais da conjugação pessoal grega devem ser
estudadas a partir de
quatro sistemas (imperfectivo, aoristo, futuro e perfectivo),
quatro modos
(indicativo, imperativo, subjuntivo, optativo) e, no modo indicativo, por
dois momentos
temporais (presente e pretérito).
|
imperfectivo: |
aoristo: |
futuro: |
perfeito: |
|
indicativo
• presente
• pretérito |
indicativo |
indicativo |
indicativo
• presente
• pretérito |
|
imperativo |
imperativo |
|
imperativo |
|
subjuntivo |
subjuntivo |
|
subjuntivo |
|
optativo |
optativo |
optativo |
optativo |
A base de cada um dos quatro sistemas é, obviamente, a forma do radical do
verbo (imperfectivo, futuro, aoristo, perfectivo).
Verbos em
-ω
e em
-μι
De acordo com a desinência número-pessoal da 1ª pessoa do singular do
imperfectivo indicativo presente ativo, os verbos gregos podem ser agrupados
da seguinte forma:
λύ-ω,
"eu desato";
παιδεύ-ω,
"eu ensino";
ἀγγέλλ-ω, "eu anuncio";
εἰ-μί,
"eu sou / existo";
δίδω-μι,
"eu dou";
τίθη-μι,
"eu coloco".
Os verbos em
-ω
e o os verbos em
-μι
têm diferenças significativas de flexão somente no sistema do imperfectivo;
não há razão, portanto, para serem estudados separadamente.
Alguns verbos não têm formas ativas, apenas formas médias e passivas; são os
verbos em
-μαι,
como por exemplo
βούλο-μαι,
"eu quero".
Concordância nominal e
verbal
SUMÁRIO
sinopse anterior
A sintaxe de concordância se refere, basicamente, às relações funcionais
entre as palavras variáveis de frases e orações.
O predicado
e seu sujeito
Em princípio, o
verbo finito
concorda sempre em número com o sujeito ou sujeitos da oração:
ὁ
παῖς
καθεύδει.
a criança dorme.
um
sujeito = verbo no singular
σὺ
καὶ
ἐγὼ
τὸν
πατέρα
στέργομεν.
tu e eu amamos nosso pai.
dois
sujeitos = verbo no plural
Quando o sujeito está no plural neutro, porém, o verbo vai para o singular:
τὰ
ζῶιὰ
τρέχει.
os animais estão correndo.
Quando há mais de um sujeito, o verbo às vezes concorda apenas com o mais
próximo:
σὺ
τε
Ἓλλην
εἶ
καὶ
ἡμεῖς.
(X.An. 2.1.16)
tu és grego e nós também.
N.b. Note-se que, nesse tipo de construção, é possível entrever duas orações
em parataxe, com o verbo da segunda subentendido:
σὺ
τε
Ἓλλην
εἶ
|
καὶ
ἡμεῖς
(ἐσμέν)
= tu és grego
|
e nós também (somos).
Quando o sujeito está no singular, mas passa uma noção coletiva, o verbo
pode vir no plural (concordância pelo sentido):
τὸ
πλῆθος
ἐψηφίσαντο
πολεμεῖν.
(Th. 1.125.1)
a multidão votou pela guerra.
Mais informações nas sinopses do
dual
e do
infinitivo.
Complementos
nominais em aposição
Muitos complementos nominais formam, juntamente com o nome a que se referem,
uma seqüência que explica ou qualifica o sentido do nome, mas sem completar
seu sentido. Comportam-se assim o predicativo do sujeito, o artigo, os
adjetivos qualificativos, certos pronomes adjetivos e, é claro, o aposto
propriamente dito.
Caracteristicamente, a função sintática do nome e do elemento em aposição a
ele é a mesma.
1. Artigo
O artigo concorda em gênero, número e caso com o nome que determina:
ὅλως
τε
σημεῖον
τοῦ
εἰδότος
καὶ
μὴ
εἰδότος
τὸ
δύνασθαι
διδάσκειν
ἐστίν.
(Arist.Metaph. 981b)
Em geral, é a capacidade de ensinar a marca do saber e do não-saber.
o
primeiro artigo está no G.Ne.sg. e concorda com
εἰδότος,
perf.part.at.G.Ne.sg. do verbo
οἶδα;
o segundo, no N.Ne.sg. de
locução verbal infinitiva.
O artigo nunca determina um nome em função de predicativo:
Αἱ
μοῦσαι
θεαὶ
ἦσαν.
As musas eram deusas.
2. Adjetivos e
pronomes adjetivos
O adjetivo qualificativo concorda em gênero, número e caso com o
substantivo:
O mesmo vale para os pronomes adjetivos:
3. Aposto
4. Predicativo
O predicativo é o complemento de verbos de ligação (v.g.
εἰμί,
"eu sou / estou"), que podem vir ou não expressos na oração.
Quando o predicativo é um substantivo, concorda com o sujeito em caso:
ἡ
θήρα
ἡδονή
ἐστιν.
A caça é um prazer.
Quando o predicativo é um adjetivo, concorda em gênero, número e caso com o
sujeito:
ὁ
πατήρ
ἐστιν
ἀγαθός.
ἡ
μήτηρ
εστί
ἁγαθή.
Meu pai é bom. Minha mãe é boa.
Quando o adjetivo predicativo se refere a um sujeito abstrato (está em geral
subentendido o substantivo"coisa"), fica sempre no neutro singular:
δεινὸν
οἱ
πολλοί
(E.Or. 772).
ἀθάνατον
ἡ
ψυχή
(Pl.Phd. 73a).
(Coisa) terrível, a multidão. A alma é (uma coisa) imortal.
Assim como o verbo, o atributo pode concordar com o sujeito mais próximo:
ἀρετὴ
καὶ
κακία
ἐναντία
ἐστιν.
a virtude e o vício são opostos.
Para a concordância do sujeito infinitivo com o predicativo, ver
infinitivo.
O nominativo
SUMÁRIO
sinopse anterior
O caso nominativo
(gr.
ὀνομαστική
πτῶσις)
é a forma nominal que nomeia / identifica seres, objetos e idéias; nos
dicionários, é a forma-referência da entrada de substantivos, adjetivos e
pronomes.
Morfologia
do nominativo
Eis as terminações habituais do nominativo, organizadas de acordo com as
desinências básicas:
|
|
|
tipo |
paradigmas-exemplo |
radical |
N. sg. / pl. |
|
|
|
sg.:
-ς
pl.:
-ι |
ὁ νεανίας, ου
ὁ πολίτης, ου
ὁ λόγος, ου
ὁ νεώς, ώ |
νεανια-
πολιτᾰ-
λόγε/ο-
νηε/ο-
|
νεανί-ας / -αι
πολίτ-ης / -αι
λόγ-ος / -οι
νε-ώς / -ώι |
|
|
|
sg.:
-ø
pl.:
-ι |
ἡ ἡμέρα, ας
ἡ κεφαλή, ῆς |
ἡμερα-
κεφαλη- |
ἡμέρ-α / -αι
κεφαλ-ή / -αί |
|
|
|
sg.:
-ν
pl.:
-ᾰ |
τὸ δῶρον, ου |
δωρο- |
δῶρ-ον / -α |
|
|
|
sg.:
-ς
pl.:
-ες |
ὁ κόραξ, ακος
ἡ πόλις, εως
ἡ νέκυς, ος
ἡ τριήρης, ρους |
κορακ-
πολεy-
νεκυ-
τριηρεσ- |
κόραξ
(κ-ς)
/ -ες
πόλ-ις / -εις
νέκυ-ς / -ες
τριήρ-ης / -εις |
|
|
|
sg.:
-ø
pl.:
-ες |
ὁ ῥήτωρ, ορος |
ῥητορ- |
ῥήτωρ / -ες |
|
|
|
sg.:
-ø
pl.:
-ᾰ |
τό κρέας, έως
τό γένος, ους
τὸ σῶμα, ατος
τὸ φῶς, φωτός
τό ἄστυ, εως |
κρεασ-
γενεσ-
σωματ-
φωτ-
ἀστεF-
|
κρέ-ας / κρέ-α
γέν-ος / γέν-η
σῶμα / ματ-α
φῶς / φῶτ-α
ἄστ-υ / ἄστ-η |
|
|
Observações:
1. Os
gêneros masculino e feminino são marcados, no singular, pela desinência
-ς
ou pela falta de desinência (ø); no plural, pelas desinências
-ι-
e
-ες-;
2. o gênero
neutro é marcado, no singular, pela desinência
-ν-
ou pela falta de desinência (ø); no plural, pela desinência
-α-;
3.
radicais em consoante apresentam comumente alterações fonéticas quando o
radical recebe as desinências; v.
paradigmas nominais.
Tradução
A tradução é simples; basta usar utilizar a palavra portuguesa básica
correspondente, sem qualquer nuance ou consideração.
Ex.: homem, árvore, etc.
Sintaxe
O nominativo não exprime relações circunstanciais; na oração, identifica
basicamente o sujeito e o predicativo do sujeito; aparece também em títulos,
listas, enumerações, etc.
1. Sujeito e
predicativo do sujeito
Ἀθηναῖοι
Δηλίους
ἀνέστησαν
ἐκ
Δήλου.
(Th. 5.1.1)
"Os atenienses expulsaram os Délios de Délio"
τῶν
ἐπιστημῶν
ἐπιστήμη
ἐστὶν
ἡ
σωφροσύνη.
(Pl.Charm. 174d)
"A
moderação é
uma ciência das ciências."
ΣΤΕΣΙΩΣ
ΚΑΛΟΣ
(Exéquias, inscrição em vaso, Louvre F 53)
"Stésios é belo."
2. Títulos,
identificações, etc.
ΕΥΡΙΠΙΔΟΥ
ΙΦΙΓΕΝΕΙΑ
Η
ΕΝ
ΑΥΛΙΔΙ
"A Ifigênia em Áulis de Eurípides"
ΗΕΡΑΚΛΕΣ,
ΕΥΡΥΤΙΟΝ,
ΓΕΡΥΟΝΕΣ,
ΑΝΧΙΠΟΣ
(Exéquias, inscrição em vaso, Louvre F 53)
"Héracles, Eurítion, Geríon, Anquipos."
N.b. Note-se que o nome de Geríon está no plural, possivelmente
porque ele tinha corpo triplo.
3. Exclamações
Ἄνθρωπος
ἱερός.
"Santo homem!"
Δύσμορος.
(S.OC. 224)
"Infeliz!"
4. Ao lado de um
vocativo
Às vezes, um nominativo acompanha o
vocativo:
φίλος
ὦ
Μενέλαε·
(Il. 4.189)
"Meu amigo Menelau!"
O genitivo
SUMÁRIO
sinopse anterior
O genitivo (gr.
γενικὴ
πτῶσις)
é o caso que marca, basicamente, a origem, em todos os sentidos
concretos e abstratos.
Morfologia
do genitivo
Veja aqui
as desinências básicas do genitivo.
Eis as
terminações habituais, de acordo com o radical:
em -α(η) em -ε/ο em consoante
M F M, F e Ne M, F e N
sg. -ου -α(η)ς -ου -ος
pl. -ων
Observações:
1. A
terminação do singular pode apresentar variações em decorrências de
alterações fonéticas: Na
declinação ática,
por causa das alterações fonéticas, a terminação é
-ώ
no sg.;
2. pela
mesma razão, o sg. dos
nomes em sibilante
é
-ους;
3. o mesmo
vale para
diversos nomes em sonante,
com genitivo sg. em
-ως;
4. a
terminação de todos os plurais é
-ων.
O vocativo
SUMÁRIO
sinopse anterior |